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*ORPHEU*

*2*




*"ORPHEU"*

REVISTA TRIMESTRAL DE LITERATURA


Propriedade de: ORPHEU, L.^da
Editor: ANTONIO FERRO


DIRECTORES

*Fernando Pessa*
*Mario de S-Carneiro*


*ANO I--1915* *N.^o 2* *Abril-Maio-Junho*


*SUMARIO*

ANGELO DE LIMA _Poemas Inditos_
MARIO DE S-CARNEIRO _Poemas sem Suporte_
EDUARDO GUIMARAENS _Poemas_
RAUL LEAL _Atelier_ (novela vertgica)
VIOLANTE DE CYSNEIROS (?) _Poemas_
ALVARO DE CAMPOS _Ode Martima_
LUS DE MONTALVR _Narciso_ (poema)
FERNANDO PESSA _Chuva oblqua_ (poemas interseccionistas)


*Colaborao especial do futurista*

*SANTA RITA PINTOR*

*(4 hors-texte duplos)*


_Redaco_: 190, Rua do Ouro--Livraria Brazileira.
_Oficinas_: Tipografia do Comercio, 10, Rua da Oliveira,
ao Carmo--Telefone 2724

LISBOA




"Orpheu" iniciar na _rentre_ uma longa srie de conferencias de
afirmao, sendo as primeiras as seguintes:


A Torre Eiffel e o Genio do Futurismo, por _Santa Rita Pintor_.

A Arte e a Heraldica, pelo pintor _Manuel Jardim_.

Teatro Futurista no Espao, pelo _Dr. Raul Leal_.

As Esfinges e os Guindastes: estudo do bi-metalismo psicologico, por
_Mario de S-Carneiro_.


*SERVIO DA REDACO*


Varias razes, tanto de ordem administrativa, como referentes
assuno de responsabilidades literarias perante o publico, levaram
o _comit_ redactorial de _ORPHEU_ a achar preferivel que a direco
da revista fsse assumida pelos actuais directores, no envolvendo
tal determinao a minima discordancia com o nosso camarada Lus
de Montalvr, cuja colaborao, alis, ilustra o presente numero.


De principio, concordara o _comit_ redactorial de _ORPHEU_ em no
inserir colaborao artistica: por isso mesmo se adoptou uma capa que
o era, brilhante composio do arquitecto Jos Pacheco. Posteriormente
sada do primeiro numero, julgou, porm, o mesmo _comit_ que seria
interessante inserir em cada numero desenhos ou quadros de *um*
colaborador, em vista do que decidiu *fixar* a capa, tirando-lhe o
caracter artistico e dando-lhe um simples e normal aspecto tipografico.
A realisao desta parte do nosso programa comea no numero actual com
a insero dos quatro definitivos trabalhos futuristas de Santa Rita
Pintor.


O _Manifesto da Nova Literatura_, que havia sido anunciado como devendo
fazer parte do n.^o 2 de _ORPHEU_, no nle inserto nem o acompanha.
motivo disto a circunstancia de que, envolvendo a confeco dsse
manifesto o desenvolvimento de principios de ordem altamente scientifica
e abstracta, le no pde ficar concluido a tempo de ser inserto. Ou
aparecer com o 3.^o numero da revista, ou mesmo antes, talvez, em
opusculo ou folheto separado.


O 3.^o numero de _ORPHEU_ ser publicado em outubro, com o atraso dum
ms, portanto--para que a sua aco no seja prejudicada pela
poca-morta.


Os _hors texte_ de Santa Rita Pintor insertos no presente numero foram
fotogravados nos _ateliers_ da *Ilustradora* segundo clichs de


*BARROS & GALAMAS*
146, Rua da Palma--LISBOA


*CONDIES*


Toda a correspondencia deve ser dirigida aos Directores.


Convidamos todos os Artistas cuja simpatia esteja com a indole desta
Revista a enviarem-nos colaborao. No caso de no ser inserta
devolveremos os originais.


So nossos depositarios em Portugal os srs. Monteiro & C.^a, Livraria
Brazileira--190 e 192, Rua Aurea, Lisboa.


_ORPHEU_ publicar um numero incerto de paginas, nunca inferior a 72,
ao preo invariavel de 30 centavos o numero avulso, em Portugal, e
1$500 ris fracos no Brazil.


*ASSINATURAS*

(Ao ano--Srie de 4 numeros)


Portugal, Espanha e Colonias portuguesas 1 escudo
Brazil 5$000 ris (moeda fraca)
Unio Postal 6 francos




*Livraria Brazileira de MONTEIRO & C.^ia--Editores*
190 e 192, RUA AUREA--LISBOA


Acaba de aparecer:


*CU EM FOGO*

NOVELAS POR

MARIO DE S-CARNEIRO


GRANDE SOMBRA--MISTRIO
O HOMEM DOS SONHOS--ASAS--EU-PROPRIO O OUTRO
A ESTRANHA MORTE DO PROF. ANTENA
O FIXADOR DE INSTANTES--RESSURREIO


1 VOLUME DE 350 PAGINAS


CAPA DESENHADA POR

JOS PACHECO


Preo 70 centavos





*POEMAS INDITOS*

DE

ANGELO DE LIMA




_*CANTICO--SEMI-RAMI*_


--Oh! Noute em Teu Amor Silenciosa!
--Oh! Estrellas na Noute, Scintillantes,
Como Ideaes e Virginaes Amantes!...
--Oh! Memoria de Amor Religiosa!...

--J Fui... uma Creana Pubescente
Que des'brocha em Amor Inconsciente
Como n'um Vago Sonho... Commovente
Desabrocha uma Rosa Olorescente
--A Adolescente... Casta e Curiosa!

--E j Fui... a Galante com Requinte
Para dar-me, Esquivando-me em Acinte
De P'rigos da Ventura Cyspresinte
--Sensitiva... Ao Brisar, do Sol Orinte...
--A Nubente... Temente e Desejosa!

--E j Fui... a Noivada pelo Amante,
A Cingida de Abrao Palpitante,
Anxe do Sacrificio Inebriante!
--A Flr que Quebra o Gyneceu... Hiante,
--A Desvirgada... Grata e Dolorosa!

--Oh! Memoria de Amor Religiosa!
--Oh! Estrellas, na Noute, Scintillantes
Como Ideaes e Virginaes Amantes...
--Oh! Noute em Teu Amor... Silenciosa!

J Fui... como a Senhora, sim, durante
Uns Tempos de Ventura Confortante
Nos Confortos de um Lar... Hoje Distante...
--Como Dista, da Noute, um Pao Encante...
J Fui... uma Matrona Virtuosa!...

E j Fui... a Devota pelo Amor,
A Adulterin... que Trahe o seu Senhor!...

E a que sentiu Doer o Corao
Ao Fim de Tanta e Cada uma Vez
Por cada Intento s Colhr Revez
Nas Esp'ranas da Sua Devoo!...

Oh! Noute! em Teu Amor Silenciosa!
Oh! Estrellas, na Noute, Scintillantes
Como Ideaes e Virginaes Amantes...
Oh! Memoria de Amor Religiosa!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

E se Ha de Amor, algum Amor Eleito,
Aquella Tambem Fui, que Ninguem Fsse,
Que, n'um Mysterio, como o Inferno, Doce,
Amei a Minha Filha, no seu Leito...

Sim, se Ha de Amor algum Amor Eleito,
Minhas Irms, Cingi-me ao Vosso Peito
E Ouvi-Me esta Memoria Dolorosa...

J Fui Aquella que Perdeu a Esp'rana,
E Errou Espasma Noutes sem Termino,
Entre a Treva das Selvas Pavorosa,
Anxe em busca de Amantes do Destino...

--E A que Lembrou os Tempos de Creana!...

--E j Fui como a Sombra da Saudade
Amando a Lua, pela Immensidade!

--Oh Noute! em Teu Amor, Silenciosa!
--Oh Estrellas, na Noute, Scintillantes
Como Ideaes e Virginaes Amantes!
--Oh Memoria de Amor, Religiosa!...




_*NEITHA-KRI*_


Noute Immensa pela Immensido!
Recebe em Ti a minha Confisso.
Eu Nunca disse ao Verdadeiro, No!
Nem devoro em Remorso o Corao!...

Sou a Grande Rainha Neitha-Kri...
Sou Devota da Noute Pensadora...
E Neith grande, pelos Ceus Senhora...
E Eu, Sua Filha, Sou Nofrei-Ari!...

Meu Irmo era o Rei Mentha-Suf'reh!...
--E Morreu Enlevado em Sonho Ideal
D'um Phyltro que Eu lhe dei para tomar!...
--Mentha-Suf'reh no Conheceu o Mal
--E o Destino Elegeu-me p'ra Reinar
Sobre os Milagres do Paiz d'Esneh!...

--Sou a Grande Rainha Neitha-Kri!
--Sou Devota da Noute Pensadora
--E Neith Grande! pelos Ceus Senhora!
--Sou a Rainha!... Sou Nofrei-Ari!...

--No meu Corpo Divino e Perfumado
Tenho a Carne Cr Mate da Belleza
Que Ammarella de Cr e Delicada,
Da Cr Loura da Chamma Incendiada...
--Tenho o Porte das Damas da Nobreza
Nas Formas do Meu Corpo Consagrado!...

--A Thiara Suprema que Investi
Coroa a Minha Fronte Sobranceira,
Real, Sagrada, Mystice, Altaneira...
--E Ento-- Neith--sou Divina em Ti!...

Na Sombra d'Esta C'roa dos Thanitas
Palpitam-me no Seio Delicado
Anceios de Desejos Escondidos,
Mysteriosos, quasi Indefinidos,
Mesmo ao Saber do Meu Olhar Velado
--Que tu, Noute! em Teu Amor Excitas...

O Peitoral Sagrado da Magia
Repousa nos seus Ouros Esmaltados,
Frio sobre os meus Seios Excitados,
Como tacite, Oraculo, do Dia...

--Sob o P-chnte Cintural Pendente
Sobre o Vigor suavemente Curvo
Das minhas Cxas no meu star de Hyerata
Que Antros Ardentes e que, Amor, Dilata
De um Ardor Fulguroso... porque Turvo...
De que Immanencia... de que Immanescente?...

-- Noute minha Me na Immensido!
-- Noute Grande, pelos Cus Senhora...
--Scintil d'Estrellas n'Essa Solido...
--Eu, Sobre a Terra, Sou a Vencedora!...

--Erguida nas Sandalias Encurvadas
Sou de P ante Ti, Verdadeira!
Dama da Vida, pelo Amor Ungida...
Senhora Principal... Dama da Vida!
Eu, Tua Padre-Me!--a Derradeira...
--Entre as Vagas de Incenso a Ti Votadas...

--Meu Olhar Fulguro docemente,
Como se n'este Espelho da Verdade
Da minha Alma Polytica de Rei,
--N'Aquella Presciencia com que Sei
--Se Reflectisse a Minha Lealdade
--Ou a Luz d'Algum Astro Transcendente...

--E os meus Braos Frementes Alongados,
Cingidos nos Annilos Rictuaes,
Tem na Mo o Seter dos Grandes Paes
Como as Chaves dos Sellos Reservados...

Sou mais Sabia que os Sabios--Eu emfim
--Eu que Sei o Segredo Consagrado
Das Filtragens do Lotus Divinal
Que Floresce em o Rio de Occidente
E que Evoccam o Sonho Absorvente
Em que Esquecem--a par da Dor do Mal--
Os Estrangeiros, o seu Lar Deixado...
--Que Encontram outro Lar juncto de Mim...

--Meu olhar Fulguro docemente
Em Profunda Dulcissima Certeza
Como as Astres do Ceu Immanescente...
E Me-- Neith-eu! mais que Pura!
--Como as Estrellas d'um Fulgor Fremente...
--Sou a Ventura Filha da Tristeza
D'Esse Teu Medictar Saudosamente...

--E assim como os Astros Fascinantes
Geram Fatas as Horas dos Instantes,
--Meu Amor--o Sem Fim--gera a Loucura!




_*NINIVE*_


--Alem Foi--a Ninive da Piedade,
A Cidade do Lucto Singular
E a Sepultura da Semi-Rami...
--E Hoje... st por Ali, Vaga, a Saudade...
--E anda no Ceu Supremo a Eterna Istar...
--E... Passa, s Vezes, a Serpente...--Ali!...




Na Camara Longinqua e Silenciosa
Da Sepultura da Semi-Rami...
--Relegada da Vida Gloriosa
--Na Paz Final da Morte Mysterosa
--Fria e Saudosa
--Dorme a Semi!...

--Morreu na Guerra em um Paiz Distante...
--Na Expedio Fatal em que Morreram
Trez Milhes de Soldados...--e ainda Mais...
--E os Guardas d'A Que Fra a Triumphante
--Fieis..., os Seus Cem Guardas Immortaes...
Na Piedade Final do Ultimo Preito
Denotando os Seus Corpos Vigorosos
--Mantendo sobre os Hombros Pressurosos
O Feretro Sagrado da Semi...
--Por Caminhos Infindos Escabrosos
Em Terras de Inimigos...



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